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PACIENTE NA U.T.I. A ESPERA DE UM MILAGRE

segunda-feira, dezembro 8th, 2008

Nome: Prédio da antiga Delegacia, na Praça do Livro.

Filiação: Órfão de pai e mãe.

Responsável: Não identificado.

Diagnóstico: O quadro agudo de desintegração múltipla do seu interior além de visíveis sinais externos da falta de simples cuidados (manutenção) não deixam dúvidas que o paciente é portador  de Abandonite aguda.

Estado do paciente: Grave, gravíssimo, pois a doença está em estágio terminal.

Último procedimento médico: Assepsia (retirada de entulhos, resultado de desmoronamento interno) realizado pela Prefeitura Municipal no mês de maio/08.

Recomendações médicas: Reconstituição das paredes externas e internas que já desabaram parcial ou totalmente; reconstrução do telhado; reconstituição do assoalho; pintura de todo o imóvel; reconstituição das esquadrias.

 

Caro Internauta,

 

            Temos acima o prontuário de um paciente que agoniza a espera de ajuda que venha seja lá de onde for, mas que venha, pois o morimbundo pode levar o mesmo fim que outros pacientes acometidos do mesmo mal. A morte!

 

            A sua agonia é solitária. As pessoas passam arredias, sem ao menos imaginar que por dentro daquele patrimônio histórico existe um câncer agressivo em estágio terminal. Só agora, ele começa a se manifestar externamente. A foto que vemos acima nos mostra este quadro. Bonito por fora (apesar dos arranhões) e podre por dentro.

 

            É bem verdade que existe uma instituição interessada em restaurar o prédio, porém, a burocracia tem sido o principal obstáculo para que a Academia de Letras de Bom Jesus da Lapa ocupe o espaço junto com a Filarmônica Euterpe Lapense. O administrador municipal já afirmou que o prédio será tombado pelo IPHAM (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), só que até que o tombamento se torne realidade, outra realidade sombria e eminente ronda o nosso patrimônio histórico. E ao invés de tombamento teremos o desmoronamento.

 

            E você internauta, o que você acha? Devemos preservar a nossa história ou devemos deixar que a deletem?

Danilo Gonçalves